“No princípio…”

A internet traz a sensação de que estamos no meio de um redemoinho.

Se inicialmente ela era uma porta que se abria para um mundo novo, fascinante e repleto de oportunidades, hoje nos encontramos cansados, dependentes e, em alguns momentos, saudosos de uma vida distante em que as mídias sociais não existiam.

Sentimos que não há mais início, meio e fim. Se uma semana parece tem certa linearidade, as demandas, compromissos e o stress achatam um dia no outro e entramos em uma espiral que nos leva a lugar nenhum. O mesmo pode ser dito dos meses, anos e décadas.

Ao abrir a primeira página da Bíblia encontramos a expressão: “No princípio… (Gênesis 1.1). Poderia estar escrito: “Este é o princípio…”. Aí, sim, temos uma ideia de início. Não absoluto, afinal, sempre haverá alguém para perguntar: “o que Deus fazia antes de criar todas as coisas?” 

No princípio do tempo e do espaço. O que está além não interessa. Pelo menos não no início da Bíblia. Deus não vive em um mundo virtual. O princípio nos liga à temporalidade e à espacialidade. Somos seres temporais e espaciais. E esses elementos estão conectados a Deus. 

Por isso, “No princípio” é seguido pelo verbo “criou”. Deus surge na Bíblia agindo. Ele cria “os céus e a terra”. O que está acima de nossas cabeças e abaixo de nossos pés. É uma forma de dizer que Deus criou tudo. A sequência do texto mostra o processo da criação. Deus traz à existência os elementos que integram um sistema complexo, belo e interdependente. Céus, astros, terra, águas, animais, peixes, aves, ser humano.

Como último elemento da criação em Gênesis 1 vem o ser humano. Ao registrar que Deus fez “o homem”, o texto não está tratando de gênero. O termo traduzido por “homem” é adam, que significa “ser humano” (Gn 1.26). Essa nova criação é feita segundo à “imagem e semelhança” de Deus (Gn 1.26). Uma forma de dizer que os seres humanos são iguais a Deus em sua essência (não em sua plenitude).

E então retornamos à ideia de “princípio”. Qual a importância dele para você e para mim? Se temos a essência de Deus, isso significa que, mesmo de forma parcial, nós entendemos o amor porque Deus ama; nós sabemos o que é o perdão porque Deus perdoa; a alegria faz sentido porque Deus se alegra e assim por diante. Esse é o princípio fundante de nossas vidas. 

Não vivemos em um mundo sem orientação e sem sentido. Pelo contrário, há uma razão, há um objetivo. Tanto para o que nos cerca como para nossa vida. 

Acontece que às vezes as coisas ficam complicadas demais e é preciso recomeçar. Um novo princípio. E aí somos lembrados que somente Deus está princípio, e que ele é especialista em começos e recomeços.

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